Kondzilla em queda: Por que o canal de funk perdeu audiência e a liderança nas paradas?
04/06/2019 09:09 em Música

Tati Zaqui na gravação do clipe de 'Esta noche', em imagem do novo Portal Kondzilla, que terá bastidores e outros conteúdos — Foto: Divulgação

Responda rápido: qual é o canal do YouTube com mais hits no top 100 do Brasil hoje? Até o ano passado, Kondzilla era a resposta certa e fácil, o líder disparado no ranking. Há dois meses, o novo campeão é o canal concorrente de funk GR6.

 

O rei está seminu. Kondzilla, o "rei dos clipes de funk no YouTube", ainda é o maior do Brasil em assinantes e visualizações totais, mas tem metade dos acessos do início de 2018 (já chegou a 1 bilhão por mês). O canal já teve 23 clipes no top 100 semanal. Hoje tem três, contra nove da GR6.

 

Antes, ouvir funk era abrir o canal do Kondzilla e tocar o que tinha lá. Agora isso mudou... Por quê? O que está rolando com o Kond e o funk?

 

O G1 falou com empresários, produtores e o diretor-executivo da Kondzilla, Fabio Trevisan. Por trás das cifras estão dilemas da empresa de SP que deu a cara do batidão brasileiro dos últimos anos. A cena que ela ajudou a criar está mudando. Os cinco fatores mais citados foram:

 

  • Funkeiros mais conhecidos, como Kevinho, Jerry Smith, Lexa e Pocahontas, hoje preferem postar em seus canais individuais
  • Após anos de domínio paulista, o funk cresce em Belo Horizonte, Recife e especialmente no Rio, onde Kondzilla é menos presente
  • Mesmo em SP, a concorrência aumentou quando a GR6, maior agência de MCs da cidade, passou a priorizar seu próprio canal
  • Competidores avaliam que o canal está perdendo a "conexão com as ruas", com linguagem "limpinha" em momento em que o funk é marcado pela "ousadia"
  • Excesso de clipes de aspirantes a celebridades de qualidade duvidosa, que pagam pela "vitrine" da Kondzilla. A produtora lucra, mas o canal perde interesse de fãs
  • Para Fabio, a perda de parte da audiência pode ser resultado de uma decisão que, por outro lado, também foi boa para eles: um "filtro" de palavrões, sexo e violência nos clipes. Isso ajuda a chegar a certos públicos e marcas. Mas o funk mais popular hoje não economiza no teor sexual.

 

Outros dilemas (entre produtora e exibidora, mídia e agenciadora, negócio paulista e nacional) mostram que o modelo de incrível sucesso trouxe armadilhas. E isso está mudando o singelo hábito do brasileiro de dar o play para dançar um funk...

 

Em abril de 2017, o G1 foi a uma casa de dois andares na Zona Leste de SP, onde 35 pessoas trabalhavam no canal que tinha virado o maior do YouTube do Brasil. Konrad Dantas, o Kondzilla, foi visionário ao investir na imagem vibrante do então crescente funk ostentação de SP, em 2012.

 

A empresa virou sinônimo de funk: maior produtora de vídeos e, ao mesmo tempo, vitrine do estilo. Todos os hits entravam lá.

 

"Somos mídia. A gente só produz o clipe se for lançar no nosso canal, e só lança no canal produção nossa", explicava Konrad.

 

Ele queria mais: tinha acabado de transformar a Kondzilla em agência (empresa que negocia shows e gravações de artistas). Entre os MCs anunciados estavam Guimê, Bin Laden e Tati Zaqui. "A Kondzilla já é muito mais que uma companhia de vídeo", ele dizia.

Fonte: G1 Globo

 

 

 

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